sexta-feira, 2 de maio de 2014

Bicicletando na Gramática Holandesa


Logo de manhã, deparei-me com este post na página do face:
"Se não gosta de onde está, mude. Afinal você não é  árvore."
Simples assim!? Não,  definitivamente, não é.
Há cerca dois anos e meio, estou vivendo uma ponte aérea dispendiosa e um tanto pitoresca. Estou aprendendo a viver o novo, dando adeus à rotina e ainda encarando pequenos desafios. É verdade que demoro a me situar por aqui depois de uma longa temporada no Brasil. Mas o mesmo acontece quando por lá, eu chego. São duas semanas ou mais, de completo estranhamento. Perco, até mesmo, peças de roupas. Procuro-as aqui, mas estão do outro lado do oceano...
Até mesmo as atividades físicas são diferenciadas. Gosto de praticar yoga ouvindo as instruções na minha própria língua; portanto é no Brasil que pratico minhas ásanas. Gosto de fazer caminhadas sentindo o vento frio no meu rosto. Por isto as faço aqui, na Holanda (Quase sempre está frio!). Para os outros, toda esta movimentação de um lado para o outro, parece ser bem colorida. Mas tenham a certeza de que há dias em que as cores se perdem no dia cinzento... Nas ruas, que no inverno, escurecem por volta das 15:30 h. Há outros em que a situação fica preta. Principalmente quando dá um branco e você esquece as poucas palavras que você aprendeu...
Daí a minha luta diária. O que me faz lembrar o poema, Lutador, do saudoso Drumond de Andrade, que dizia: Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco. Algumas, tão fortes como o javali. Não me julgo louco. Se o fosse, teria poder de encantá- las. Mas lúcido e frio, apareço e tento apanhar algumas para meu sustento ...". 
No momento, identificação total!
Mas aqui e ali vou construindo minhas pontes para encontrar os caminhos para uma comunicação mais eficaz. Não posso reclamar.
Nos  meus tempos de CEUB, hoje UniCEUB, quando voltava sentada nas escadas do ônibus superlotado, lutando com a fome que comprimia o estômago, sonhávamos com uma língua mais fácil, sem tantas regras, com conjugações verbais mais simples... E, eu criava palavras como futebolar, bicicletar, docear... 
Acreditava estar sendo criativa... Que nada! Estas palavras já existiam por aqui... Voetballen, fietsen, snoepen...
São elas que brincam com as minhas sinapses, provocando verdadeiros curtos-circuitos. 
A conjugação dos verbos era um capítulo a parte. Quem se lembra de como era difícil decorar todas aquelas conjugações de preterito perfeito, preterito mais-que - perfeito, futuro do presente, futuro do preterito... Que dificuldade!
A conjugação, aqui, é mais simples, entretanto feita com verbos compostos.
A dificuldade é parar de raciocinar em Português?! Querer construir as zinen, frases, da mesma maneira?! Não funciona! 
Que tal esta frase? Hij gaat drie keer per week 5 kilometer in het park rennen. Isto é: Ele vai três vezes por semana 5 km naquele parque correr. Ou seja; primeiro fico sabendo quantas vezes, quanto e onde ele vai, para finalmente saber que ação ele vai praticar: correr... E eu fico, aqui, correndo atrás do prejuízo...
E novamente me vem os versos do Drummond : " Lutar com palavras parece sem fruto. Não tem carne e sangue... Entretanto, luto."
E nesta luta com as palavras vou escrevendo meu presente, esperando aprender milhares de palavras criativas e magnéticas. 
Que elas possam  estimular  meu futuro, iluminar  meu presente e quem sabe, permitir que eu entenda melhor minhas ações passadas; trazendo- me, assim, mais experiência para acertar mais o meu agora.
Tot ziens!

Foto:http://thedhosher.blogspot.nl/2013/04/bicicleta-e-livros-em-ilustracao.html

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Ruas por onde vagueio


Ontem atendi o convite do sol, que resolveu visitar- nos.
Seus raios aqueciam o ar frio que teimava em correr livremente.
Aos poucos, foram iluminando o dia nublado.
Com o coração um tanto pesado pelas incertezas de um recomeço _ Estou sempre recomeçando por aqui_ fui caminhando para onde meu nariz apontava.
Sempre é interessante vagar por aqui.
Para quem sempre viveu em pleno Planalto Central, onde o cerrado muda do verde para o marrom  e do marrom para o verde, sem grandes surpresas climáticas, as variações de cores, de temperatura e até de humor por aqui, são acontecimentos que merecem ser desfrutados.
Portanto me dou ao luxo de " de vez em sempre" vagabundear pela cidade.
Morando em um bairro simples, é comum ouvir diferentes sons ecoando aqui e acola.
São os diferentes falares que aqui residem .
E até mesmo a língua Neerlandesa soa ou muito carregada ou muito suave.
A variedade se estende às indumentárias coloridas.
Comum entre os holandeses, mais sisudas e conservadoras, quase sempre pretas, dos imigrantes marroquinos e outras mais clássicas e formais entre os grisalhos,  que são a maioria.
Assim vou conhecendo cores e combinações improváveis...
Como uma saia verde berrante usada com uma legging oncinha ou uma djallaba preta com  um  lenço de seda colorido.
Tudo é normal! Ninguém olha. A diversidade é tanta que nada mais é estranho...
Com esta primavera exuberante, é difícil ficar indiferente aos pequenos jardins coloridos.
Às vezes com frondosas pequenas árvores circundadas com jacintos azuis perfumados e alegres multicoloridas tulipas.
Aos poucos o recomeço vai ficando mais leve, o baú que carrego no peito transforma-se.
Sei que posso carregar esta mala de rodinhas.
Vou desfilando com ela pelas " straten"...
Ruas temperadas com nomes cheios de possibilidades...
Descubro que moro na Rua da Agrimonia  _ para minha surpresa, uma flor amarela, cor que muito aprecio_ vizinha da Rua Flor da Páscoa _ juro que existe! De um lilás maravilhoso!
Meu nariz vai apontando em direção a Rua Flor de Cisne _ de flor não tem nada!
São bolas verdes claras tão leves que flutuam na água, daí o nome.
Vejo que trago semelhanças com a  Flor de Cisne.
Ando flutuando por esta correnteza chamada Vida.
Sinto o cheiro de uma carne bem temperada, que deve estar sendo refogada neste momento.
O aroma nem de longe se parece com o nosso brasileiro, mas é tão sedutor quanto...
Vou em busca dele, afinal  sigo o meu nariz!
Vou entrando na Rua Flor Selvagem, ainda sem referência para mim.
Aqui, descubro várias antenas parabólicas voltadas na mesma direção.
Buscam o contato com a terra distante: Marrocos, Líbia, Tunísia, Síria...
Buscam não perder o vínculo com a cultura, com a pátria...
Cultivam a saudade em ondas magnéticas e telepáticas.
Varandas abarrotadas de roupas no varal, denunciam famílias numerosas.
Usam a varanda como um espaço de despejo...
Contrário dos nativos, que fazem das suas varandas uma extensão da casa.
Decorando-as com mini jardins suspensos.
Cadeiras confortáveis e almofadas floridas ficam viradas para o sol.
Chego a Rua Flor de Pêssego e sem ter nenhum para colher_ mesmo se tivesse não poderia fazê-lo, o respeito à propriedade é levado a sério, mesmo estando plantado em área pública_ decido não mais seguir meu nariz, mas sim o meu estômago, que clama por uma refeição quente.
Decidimos cortar caminho pela Rua Salsa de Vaca _ desconhecida para mim_ e irmos preparar uma boa pasta temperada com tomates secos e manjericão.
Caminho com uma certa pressa...
Percebi que havia esquecido em alguma destas " straten" a minha mala de rodinhas...
Deve ter sido por culpa da alegria que encontrei pelo caminho...
Ou será que ela transformou-se numa diminuta "necessaire"?!
Não importa! O estomago graceja e eu aperto o passo...

Foto: Lucia Boonstra

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Transparência



Sábado preguiçoso.
Olho pela imensa janela.
Ruas vazias. Silêncio.
O sol brilha lá fora.
Um convite à vida, mas minha inércia é maior...
Sei que o frio ainda permanece trespassando as ruas, canais e vielas...
E é dele que fujo.
Aquecida em meu refúgio,
vou deixando as horas passarem olhando através da janela...
Admirando os poucos ciclistas e corredores amadores que transitam espaçadamente.
Admito minha covardia!
Não participo da vida, sou expectadora...
Invejo a comédia, mas vivo dramatizando...
Admiro as pinturas. Não desenho e nem pinto. Escrevo?!
Sou menos da metade do que queria e do que desejei ser...
Sou a outra... Aquela que sonha viver!
Em um inexplicável ímpeto: troco de roupa e saio para correr.
Adeus!

Foto: Onofra Lúcia

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Retratos de uma família


Não sei se são as condições climáticas, o aconchego da língua e dos costumes ou, simplesmente, o doce prazer de me sentir em casa com os meus familiares,  que me fez abandonar-me  nesta preguiça morosa. Deixei de escrever...
Estava matando saudades de relações antigas, de carinhos represados, de conversas travadas...
Descobrindo sentimentos escritos e livros esquecidos...
Nas minhas buscas encontrei uma agenda de 2009 e antes de jogá- la fora decidi folhear...
Velhas anotações do dia a dia, telefones de pessoas que passaram por minha vida, compromissos cumpridos, outros adiados indefinidamente... Poemetos iniciados... O lote comprado em Anápolis, no valor de R$ xyz e mais outros tantos R$ xyz de despesas com aterramento, prestações da faculdade do filho e outras tantas miudezas gastas ... E, ainda, um desabafo, que inicia assim...

"Quero chorar as pitangas! Quero colo de pai, uma vez que mãe não tenho mais...
Mas de que adianta?! Ele jamais soube me confortar...
Tive sonhos de família. De família reunida...
De família que ri, chora, se conforta e se felicita juntos.
Não consegui construir esta família.
Fui incapaz de manter a união...
Primeiro o divórcio, depois, uma segunda união, que, na verdade, acabou por afastar meus filhos.
Não soube lidar com as necessidades deles e as minhas...
Com as inseguranças deles e as minhas...
Com as carências deles e as minhas...
E nesta difícil tarefa de buscar a minha felicidade e querer a deles, acabei atropelando-os.
Reclamam da minha insatisfação para com eles; na minha leitura, não é insatisfação.
É um desejo de que eles aproveitem melhor o potencial que eles têm.
Há mágoas das minhas alfinetadas, não as considero assim...
Mas alertas de que eles podem fazer mudanças para melhor...
Acredito nisto, porque sei da capacidade de cada um.
Pontos de vista diferentes...
Comunicação danificada...
Família separada...
Uma perda irreparável.
Uma vida vazia, inútil...
Sem construção positiva."

Hoje, vejo que o tempo é o grande remédio.
Estamos todos bem.
Vamos ainda ter algumas situações, talvez até difíceis, mas consegui vê- los adultos e amadurecidos...
Agora, com suas respectivas famílias, são eles que vão iniciar suas escolhas e buscas  em relação aos filhos. Cabe a eles escolherem as estradas que vão trilhar e quais os métodos usar...
Tomara, eu tenha, apesar de tudo, contribuído com coisas positivas, das quais eles possam se orgulhar.
Porque eu sempre tive muito orgulho de cada um deles.
Esperava, apenas, que eles encontrassem seus próprios caminhos...
O meu grande erro foi não saber que cada um tem o seu ritmo, o seu tempo, as suas escolhas...
O texto de Bruna Ferreira, Primavera,  externa de forma simples e muito bonita esta minha compreensão do momento:
Agora entendo melhor ao que Rilke se referia quando dizia "serenidade".
As tempestades passaram, como sempre têm passado desde que o mundo é mundo, e hoje veio o sol iluminar a beleza que só foi possível graças à chuva das semanas passadas."Aprendo isto diariamente, aprendo em meio as dores às quais sou grato:paciência é tudo!" 
Obrigada, meu Deus, pela minha família!
Um beijo no céu, mãe querida!

Foto: Lucia Boonstra

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Tédio das Notícias e o Pênis



À noite, depois dos afazeres domésticos, uma curta conversa com a amiga ao telefone, a corrida até o médico para exames  de rotina, posso finalmente relaxar a frente da tv e ler um pouco... Parece estranho para você?
Sempre cultivei este hábito. Gosto de ler, ouvindo o desfile das vozes na televisão. Quando algo me chama a atenção, paro e procuro sair das minhas aventuras livrescas e conectar-me com a realidade transmitida. 
E devo confessar que nem sempre isto é bom.
Meu marido, no escritório, munido com os fones de ouvido, faz o mesmo. Conecta-se com o jornal NOS, da Holanda.
Fecho o livro, A Pequena Ilha, de Andrea Levy, para assistir o noticiário...
Desfile de acidentes  nas estradas, com mortos e feridos provocados pela embriaguez, pela irresponsabilidade dos motoristas, mazelas e descaso dos governantes nos vários setores públicos, mais um escândalo de propina... 
Nada é diferente! Até mesmo os autores de alguns crimes e contravenções são os mesmos... 
Novidade mesmo são os "rolezinhos" que dividem opiniões de políticos e até mesmo as nossas, meros pacatos cidadãos. E, para completar, o nosso secretário adjunto de Segurança Pública nos reduz a "zés e marias". Sem direitos e sem maiúsculas...
Não nos damos a chance de nenhum questionamento ou discussão. Apenas aqui e ali, via facebook, exprimimos nossa indignação com o comportamento destes jovens "arruaceiros", que invadem um dos nossos poucos espaços que consideramos seguro;  os shopping centers!
Estou tão indignada como qualquer outro! 
Gosto também de perambular pelos shoppings nas segundas-feiras, quando tudo está com aquele ar moroso de ressaca de fim de semana. 
Mas, por outro lado, procuro refletir sobre as palavras de  Wagner Iglecias e Rafael Alcadipani, quando eles afirmam que essa garotada que hoje tenta frequentar os shoppings, " cresceram ouvindo dia e noite que política é coisa ruim e que o sucesso é conquista individual". 
Portanto, o que eles procuram é uma auto-afirmação através do  consumo e do uso de produtos de marcas que, atualmente, determinam o sucesso e o status na sociedade... 
E aí lembro das minhas netas que conhecem as marcas da moda... Lembro do bebê, que ainda de fraldas, no consultório médico brincava com seu tablet... Com certeza sou  de uma outra geração! 
Falham  as políticas públicas, que deixam nossas crianças e jovens ao Deus dará...
Com uma boa educação, talvez estes jovens concluiriam que, melhor seria, se tivessem acesso a teatros, cinemas, bibliotecas modernas, museus interativos, centros esportivos e de lazer ao invés destes ocos templos de consumo, ainda usando as palavras de Iglecias  e Alcadipani.
Meu marido vem até a sala. Enquanto estou ali, indignada e ensimesmada, ele está leve e sorrindo... Na NOS, o noticiário terminou.
Informaram sobre os comitês da União Européia, a insatisfação de alguns tantos pela admissão de outros países, um pequeno acidente envolvendo um carro e uma bicicleta e tantas outras notícias menores... Porém, a notícia culminante foi sobre uma altercação entre o presidente de uma associação de pescadores (esporte muito comum na Holanda) e a senhora, Nanka Van de Meer,  ambos residentes em Woudrichem.
O motivo do imbróglio é o estatuto que apresenta regras claras para quem pode pescar na cidade e nas suas adjacências:

  • Ter a permissão de pesca. A senhora Nanka possui.
  • Residir por no mínimo um ano na cidade de Woudrichem. A sra Nanka reside lá há exatamente um ano.
  • Possuir um pênis. A senhora Nanka nasceu desprovida deste apêndice!
A  referida senhora, de acordo com o prefeito, que apóia o presidente da associação, pela falta deste pequeno detalhe, fica impedida de pescar com o seu marido... Isto se o ministro não tivesse decidido a questão.
Nos Países Baixos , logo após a Segunda Guerra Mundial, observou-se que muitos jovens estavam agindo de forma violenta e vandalizando  os bens privados e públicos. Implantaram centros esportivos e de lazer, oferecendo varias modalidades esportivas e entretenimento direcionado; aliado a uma fiscalização, que previa a cobrança de multas aos pais dos infratores, que causassem danos ao patrimônio público ou privado.
Talvez, por isto os "rolezinhos" não chegaram por lá e, com a certeza de não ser apenas uma "maria" é que, a senhora Nanka deve estar neste momento pescando calmamente ao lado do companheiro...
Portanto prefiro o tédio das notícias de lá...

Foto: Página de Marcos Silvério http://ibopetvnews.blogspot.com.br/2010_05_01_archive.html

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Ele, o ano, muda e você?


Já estamos em um novo ano! Os fogos já se apagaram e a ressaca já foi curada... Hora de refazer planos ou simplesmente prosseguir os já iniciados, mas sem perder aquele gostinho de estar iniciando...
Quando eu ainda traçava metas, deixei claro que por algum tempo "deixei a vida me levar", fazia isto sempre depois dos três primeiros dias do ano. Era uma forma de elaborá-las com mais clareza; sem os atropelos e a euforia tão comuns  das festas de fim de ano.
Posso dizer que sempre funcionaram. Eram metas simples, como uma nova pintura na casa, a compra de um armário novo, uma mudança no estilo de trabalho, uma pequena viagem e assim por diante... Para não esquecê-las pregava-as na porta do guarda-roupa e quando realizava alguma delas, seguia o conselho das "psico auto ajuda"; me presenteava com um bom pedaço de torta ou comprava uma peça de roupa para mim. 
Lembro de quando instalaram meu primeiro guarda-roupa embutido; expressão caduca!... Uma parede inteira de portas. A última dava acesso ao meu banheiro privativo.
Sentei na cama e fiquei admirando aquelas portas amadeiradas, desenhadas com pequenos filetes... Tudo era espaçoso! As portas largas fechavam acomodando meus pertences e meus sonhos... Tão simples, mas tão prazeroso! Foi há muito tempo...
Fiquei mais exigente. E, com o tempo, fui deixando de apreciar estas e tantas outras pequenas grandes aquisições. Me perdi literalmente me "pré-ocupando" com aqueles ao meu redor... Me esqueci!
Mas a vida é feita de ciclos e portanto, é hora de dar adeus a este e recomeçar um outro... E neste iniciar quero, sem medo de cair na mesmice de tantos, agradecer... Mesmo sem metas estabelecidas tive muitos bons momentos... Pessoas que se despediram para sempre, mas pessoas que também chegaram... Tristezas que foram amenizadas com as alegrias intercaladas... Posso dizer que cresci um pouco mais... Vivi! 
E decidi voltar ao velho hábito...
Ainda é tempo de fazer planos e trabalhar para concretizá-los...
Teclado posicionado...
Escolhas e decisões. Quero estabelecer metas plausíveis... Podem ser pequenas, mas que sejam prazerosas e possíveis. Quero também cimentar algumas atividades iniciadas em 2013:
1- Pedalar mais.
2- Cantar mais.
3- Ler e escrever muito mais. 
4- Viajar mais, mesmo que seja para dentro de mim...
5- Exercitar a leveza no dia a dia, buscando aliar liberdade e interação do estar.

E acrescentar as novas...

6- Vender a nossa casa, abrindo espaço para escolher onde o futuro irá acontecer.
7- Iniciar um trabalho agradável, com a certeza de ser útil.
8- Estreitar laços de amor e harmonia com familiares e amigos.
9- Cuidar da minha fé cristã.
10- Cultivar alegrias e...
Deixar um espaço vazio, para dar chance ao inesperado, à novidade, ao presente que se instala sem ser convidado. Ah! Como ...



                               Eu quero tantas coisas...


                              São tão difíceis de enumerar
                              Mas com certeza, todas elas,
                              Nas minhas mãos hão de chegar!
                              E para elas alcançar,
                              Devo, com  cuidado, cada uma  analisar,
                              Trabalhando prazos e estratégias
                              Que realmente vão ajudar !



                              Querer é sonhar! Por isto, é importante:

                               Todos os dias, as metas visualizar!

                               Mas tenha a certeza 
                               De que  é preciso,
                               Com empenho trabalhar,
                               Para ver os seus sonhos
                               Assim se concretizar! 


A rima pode ser pobre, mas a mensagem é rica.

Feliz 2014 e, ainda é tempo de fazer ou refazer suas metas... Sucesso!




quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Árvores e Primas

Ao contrário do grande José Saramago, sempre tive aquela curiosidade, não mórbida, mas vívida, pelos ramos e galhos da chamada árvore genealógica. Ela valida a história da nossa existência. E somos assim, estamos sempre a procura de sermos validados.
As árvores, da botânica, sempre me chamaram à  atenção. Tenho ainda a intenção de fazer uma exposição de fotos de árvores, mas isto não vem ao caso, no momento. Elas, as árvores,  sempre me transmitem segurança. Quer pelas sua raízes, pelos seus troncos ou, talvez, pela capacidade, de muitas delas, espalharem seus galhos.
Sem explicação! Apenas o sentimento...
Gosto de árvores!
Daí por que não gostar da árvore genealógica?!
Mesmo não fazendo parte da Botânica,  a inspiração que ela me proporciona é a mesma: segurança! Está relacionada com origem, família, raízes... E como você espalha seus galhos...
Quando olhava meu avô paterno me perguntava de onde vinha aqueles olhos castanhos tão claros. Os cabelos quase loiros completavam a perfeição do rosto tranquilo. De hábitos muito simples e sorriso discreto, poderia ele ter sua origem em uma família espanhola ou portuguesa. Mas ele partiu sem que eu pudesse esmiuçar seus segredos de origem... Perdi a oportunidade de colher as pérolas das suas histórias, dos seus causos, das suas lembranças...
Ao contrário do meu avô materno, que era, sem dúvida alguma, descendente de um cafuzo. Contava ele, que o meu tataravô negro, havia capturado uma índia e tomado- a como sua companheira. Fincados em um sítio, nas bandas do Triângulo Mineiro,  criaram seus filhos e viram crescer seus descendentes. Em contrapartida, meu avô casou-se, com certeza, com uma moça de linhagem européia. Ela não era loira, mas tinha cabelos, olhos e tez tão claros que seu nome era Ana Clara.
Com esta miscigenação tão evidente, sempre foi intrigante observar as diferentes fisionomias dos meus tios e tias. Parte deles, com traços explicitamente  europeus ou indígenas; enquanto outros não negavam a descendência negra; quer pela cor da pele ou pelos cabelos quase pixains... Alguns de estatura baixa, outros medianos e  havia aqueles bastante altos. E cá estou eu, fruto de toda esta mistura!
Saramago em sua crônica Retratos de Antepassados, afirmava não dar importância a genealogia , defendia que "...cada um de nós é, acima de tudo, filho das suas obras, daquilo que vai fazendo durante o tempo que cá anda."
É uma grande verdade! Por sinal, uma grande responsabilidade. Mas, devo admitir, que mesmo assim, acredito ainda na tal da árvore. Se ela não me dá traços de caráter dos antepassados, sei que me presenteia com os traços físicos que carrego comigo. E isto me fascina!
Pensar que estes dedos, que dedilham o teclado, poderiam ser confundidos com os de uma avó distante,   que ensaiou escrever poemas com uma caneta de pena... Meus cabelos rebeldes e ondulados são frutos de um casamento  que aconteceu há dois séculos atrás...
Curiosos galhos... Fascinantes ramos...
E foi na tentativa de preservar e aproximar estes ramos que promovi um "picnic" com primas paternas. 
E foi gratificante! Descobri que não somos mais ramos. Nos fortalecemos. Fomos galhos... mas o tempo e as experiências vividas fizeram de nós, em sua grande maioria, troncos...
Estamos espalhando nossos pequenos galhos...
Temos amparando muitos em nossas sombras e nossos frutos têm alimentado tantos outros. Ou bem ou mal, estamos tentando cumprir nossa missão. Procurando acertar nas nossas responsabilidades, mas sem perder o prazer de dançar ao sabor dos ventos que sopram em nossas vidas.
Neste encontro, compartilhamos sabores doces, amargos, salgados e, alguns, até azedos... Trocamos confidências, dúvidas e certezas, mas principalmente, trocamos energia! 
Ficou a certeza da alegria do encontro e a esperança de um novo, com cestas e toalhas xadrezes!
Como o ano está findando, por pura imaginação dos homens, desejo a todas as árvores, galhos e ramos muita saúde, com fertilizantes de amor sincero, de respeito, de carinho e perdão. E lembrem-se das palavras de Saramago:"...cada um de nós é, acima de tudo, filho das suas obras, daquilo que vai fazendo durante o tempo que cá anda."

Imagem: Google.